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Inflação chega às barraquinhas de BH

Reajustes dos ambulantes chegam a 100% nos preços dos produtos para lanche. Vendas, por sua vez, despencaram.

Inflação em Belo Horizonte

Fonte: Estado de Minas 

Dragão aterroriza as barraquinhas de BH

Luciane Evans

O cachorro-quente da esquina, o docinho do ponto de ônibus, o saco de laranjas na estrada e até mesmo a bala no sinal trânsito fechado. Quem não resiste às iguarias que estão nas ruas já comprovou que elas, agora, estão pesando no bolso. Isso porque, com a inflação estourando o teto da meta do governo, de 6,5%, chegando a 6,51%, o comércio ambulante vem, a duras penas, tentado driblar o que muitos vendedores chamam de “a maior crise já vista”, uma vez que, além da alta dos alimentos, os brasileiros estão cada vez mais endividados e traçando suas despesas na ponta do lápis. Ambulantes já amargam prejuízos de cerca de 30% no faturamento. Para balancear as perdas, alguns, aos poucos, aumentam o valor dos produtos em cerca de 20%, mas temem que um reajuste maior espante ainda mais a clientela, já que, há dois anos, muitas mercadorias custavam a metade do que é cobrado hoje. “Agora, estamos segurando os preços ao máximo. Mas chega um momento que não dá”, desabafa o comerciante Alex Sander Ribeiro de Morais.

São, atualmente, 441 ambulantes licenciados em Belo Horizonte, sendo que, para exercer a atividade legalmente, pagam uma taxa anual de R$ 288,43 a R$ 514,42 à prefeitura, o que vai depender da sua localização. Para se ter ideia, comerciantes que usam veículo automotor, com lanches rápidos, por exemplo, hoje são 262 na cidade e pagam R$ 514,42. Mara de Fátima dos Reis está entre eles. Há um ano trabalhando em uma esquina do Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul, ela, que vende sanduíches, cachorro-quente e espaguete, conta que, por mês, tem uma despesa de R$ 16 mil para um faturamento de R$ 20 mil. E que nos últimos meses seu lucro vem caindo a 25%. “Nós, ambulantes, estamos vivendo um momento difícil. Por isso, em janeiro aumentei em R$ 0,50 o preço de todos os meus produtos e pretendo fazer, nos próximos dias, um novo reajuste”, anuncia. Ela justifica o aumento por causa da queda do movimento e da alta dos alimentos. “As pessoas estão endividadas e os alimentos só aumentam, tudo isso vai nos prejudicando”, argumenta

Mara tem razão. Em agosto, o percentual de famílias endividadas no Brasil ficou em 63%. Além disso, de acordo com os últimos dados do Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na sexta-feira, a inflação oficial do país acelerou 0,25% no último mês. Em julho, havia ficado em 0,01%. No acumulado de 12 meses até agosto, a alta chega a 6,51%, um resultado acima do teto da meta da inflação do governo, que é de 6,5%. Em Belo Horizonte, houve queda de 0,02%, mas, no acumulado de 12 meses, a expansão é de 6,24%.

Apesar da alimentação ter tido um recuo de 0,15% nos valores, comer fora de casa tem tido alta intensa, passando de 0,52% em julho para 0,71% em agosto em todo o Brasil. “Com isso, as pessoas estão evitando esse maior vilão do orçamento, que é comer fora do lar. Com as dívidas a pagar e a alta nos preços, os consumidores estão economizando ao máximo”, comenta o economista e professor de finanças da Universidade Fumec, Alexandre Pires de Andrade.

Essa matemática é que tem atrapalhado as contas de quem vive do comércio nas ruas. O Alex Sander, por exemplo, conta que há 10 anos tem um veículo automotivo de alimentos no Bairro de Lourdes, na Região Centro-Sul, e está vivendo, este ano, a sua pior crise. Diante dela, teve que aumentar os valores dos seus produtos para não ficar no prejuízo. A famosa vitamina de 500ml que vende, por exemplo, passou de R$ 3,50 para R$ 4. O mesmo ele fez com garrafa de água mineral, que hoje sai a R$ 2, e refrigerantes, atualmente a R$ 3.

“Mesmo repassando esse aumento, o meu faturamento caiu 30% em agosto”, revela Alex Sander, contando que o leite foi o grande vilão para as suas despesas. “Antes, gastava R$ 2 com o litro, hoje, são R$ 2,70”, compara. De acordo com dados do IBGE, o leite teve alta de 0,9% em agosto (veja quadro). O ambulante ainda ressalta que, com a alta nos preços dos alimentos em geral, muitos clientes fiéis estão deixando de comer na rua e trazendo seus lanches de casa. “Tinha uma cliente que gastava R$ 200 por mês comigo, mas me confessou que está sentindo que as coisas apertaram. Por isso, passou a trazer marmita”, conta.

A ‘era da marmita’, segundo comenta o economista Alexandre de Andrade, se justifica, uma vez que a alimentação nos supermercados está valendo mais a pena para o consumidor do que comprar nas ruas. “No caso do ambulante, ele compra os itens caros, seja no supermercado seja com distribuidores, e ainda tem que ter a sua margem de lucro. Por isso, muitos clientes vão buscando alternativas. Uma delas é a marmita”, aponta. Para o consumidor Douglas Leonardo, cliente de Alex, apesar do aumento na vitamina, ele não está deixando de consumi-la. “Mas tenho observado que a alimentação fora de casa está apertando no orçamento. Não tenho como fugir disso, pois trabalho o dia inteiro e tenho que me alimentar na rua”, diz.

MAIS QUENTE Até o fim do ano, o famoso cachorro-quente na Praça do Papa, na Região Centro-Sul, vai deixar de custar R$ 5. De acordo com a vendedora Renata Priscila, a delícia passará a ser vendida a R$ 6, um aumento de 20%. “Antes, há três meses, comprava cinco quilos de salsicha por R$ 32. Atualmente, está custando R$ 39. O queijo canastra, por exemplo, custava R$ 11 o quilo e, agora, está R$ 14,90”, compara. A salsicha, de fato, pesou no orçamento. Conforme dados do IPCA, o item teve um aumento de 1,01% em agosto e 6,53% no acumulado do ano. “Até dezembro, o nosso cachorro-quente ficará mais caro”, anuncia Renata.

Para o consumidor Selmo Júnior, a situação já está fora de controle. “Já vi cachorro-quente ser vendido a R$ 7,50, em Contagem, na Grande BH, onde moro. O que muitos ambulantes têm feito é diminuir o tamanho da salsicha para não aumentar o preço. É muito ruim para nós, consumidores. Recebo tíquete alimentação, que não teve reajuste, e comer fora está comprometendo meu orçamento”, confessa.

O aperto chegou também ao ponto de ônibus, ainda que a contragosto da clientela. Há três meses com uma barraca de guloseimas no Bairro Belvedere, na Região Centro-Sul, Raquel Constantino de Freitas diz que os preços do beijinho, cajuzinho, doce de abóbora em barra e pé-de-moça tiveram aumento de R$ 0,25. “Meu pai, dono da barraca, está tendo uma despesa muito grande com os distribuidores e, por isso, resolveu reajustar os preços. Outro dia, um cliente não gostou de ter que pagar a mais pelo cajuzinho e reclamou. Mas o que podemos fazer? O comércio da rua está em momento difícil, e nós, ambulantes, temos contas a pagar”, diz Raquel. É o que conta também o vendedor de laranjas da BR-040. Geraldo Rafael, há um ano ambulante, diz que este ano já vendeu o pacote de 12 quilos da fruta a R$ 10, R$ 11, R$ 12 e R$ 15. Ele conta que o preço dos distribuidores aumentou de R$ 5 para R$ 8 e, por isso, foi necessário o reajuste. “Mas as vendas não estão boas”, reclama, alegando ter perdido 30% do faturamento.

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